quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

CTB NA LUTA CONTRA DEMISSÕES NA COTEMINAS

Foi como um golpe traiçoeiro e uma surpresa revoltante que trabalhadores e trabalhadoras da Cotenor, integrante do grupo Coteminas, receberam a notícia de que a direção da empresa tinha decidido demitir 20% dos seus 4 mil trabalhadores e trabalhadoras em Montes Claros, norte de Minas Gerais. Isto significa 800 pais de família no olho da rua de um momento para o outro.

Os dirigentes do sindicato da categoria estão mancomudados com os patrões e conciliaram com as demissões, mesmo sabendo que podem provocar um sério problema social na cidade. Apesar da traição da diretoria de sua entidade, os trabalhadores não ficaram imobilizados. Lideranças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que disputam as próximas eleições para renovar a direção da entidade, estão organizando uma resistência enérgica às demissões e em defesa do emprego. Registre-se que a Conteminas chama seus funcionários de "colaboradores". É hora de refletir a respeito desta palavra enganadora, que ainda ilude muitos operários: é assim que se trata um "colaborador", com demissão sumária e imotivada? Para manter o emprego de nada vai adiantar apelar para o espírito de "colaboração" patronal, que nunca passou de uma balela. Só na luta a classe trabalhadora vai se fazer respeitar.

Ato pelo emprego

Confira abaixo informações publicadas em "O Norte de Minas" (www.onorte.net) sobre a luta na Conteminas.

"Na tarde de segunda-feira, 11-2, centenas de pessoas com faixas, cartazes e panfletos realizaram uma manifestação em frente à empresa Cotenor, que faz parte do grupo Coteminas, que teve como objetivo, chamar a atenção da população e das autoridades constituídas do município quanto às demissões que vem acontecendo no setor da fiação desta empresa. De acordo com Lourival Soares Ribeiro, um dos organizadores do movimento, este tem como finalidade tentar reunir com os diretores da empresa, no sentido de tentar reverter o atual momento de desestabilidade de inúmeros funcionários que se sentem inseguros quanto ao futuro dentro do grupo Coteminas. Operários da fábrica da Coteminas na cidade, ligados a Central dos Trabalhadores do Brasil, estiveram reunidos na tarde do último domingo na sub-sede Norte do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais, onde discutiram as demissões anunciadas pela empresa nos últimos dias e decidiram pela realização de uma jornada de lutas que se iniciou na tarde de ontem. É importante salientar ainda que estas manifestações não tem nenhuma conotação política partidária, mas, sim, buscar soluções práticas que venha de encontro com os interesses dos funcionários.

Câmara

De acordo com ele, está programada para acontecer na manhã de hoje, nas dependências da câmara de vereadores, manifestação quanto às demissões na Coteminas, com o objetivo de buscar apoio dos vereadores, mobilizando desta forma toda a população. – Não nos curvaremos aos desmandos da direção da empresa. A Coteminas está entre as empresas que mais lucram no país e não se justifica a demissão de centenas de trabalhadores para aumentar ainda mais este lucro. É uma crueldade o que estão fazendo com os operários e suas respectivas famílias, salienta.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Vigilância e Segurança e Transporte de Valores do Norte de Minas, Carlos Antunes, é importante que as demais categorias de trabalhadores e seus respectivos sindicatos e centrais estejam lado a lado com os funcionários da Coteminas nessa que é considerada por ele como uma significativa jornada de luta.

Fonte: CTB

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LULA DEFENDE REDUÇÃO DA JONADA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, dizendo que ela trará melhor qualidade de vida e ''aumentar as horas de lazer do trabalhador''. A redução da jornada é hoje a principal bandeira unificada das centrais sindicais, que coletam um abaixo-assinado gigante em apoio ao projeto do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) neste sentido. O apoio de Lula foi feito ao encaminhar ao Congresso duas mensagens que ratificam convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Lula discursa em favor da redução da jornada

Para o presidente, a redução da jornada, bandeira das centrais sindicais, não poderia ser proposta pelo governo porque se tornaria um embate com a oposição. Conciliador, Lula disse também que não fazia nenhum discurso ''contra qualquer empresário''. ''Nós precisamos uns dos outros, os empresários dos trabalhadores, os trabalhadores dos empresários e a Nação precisa dos dois'', disse. Mesmo assim, o endosso do presidente, que já encabeçou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, empresta impulso à campanha das centrais.

''Um dia não vai ter tanta central'

Lula disse ainda que está em fase final de análise a proposta das Centrais de colocar um representante dos empregados em todos os conselhos administrativos das empresas públicas brasileiras. Ele agregou que em março pretende realizar um jantar com representantes das Centrais Sindicais.

O presidente defendeu a união entre as centrais e disse que as divergências devem ser superadas. ''Acredito que um dia não vai ter tanta central, mas é um processo de amadurecimento'', afirmou, para uma platéia que contava com dirigentes de seis das oito centrais existentes no país, entre eles Wagner Gomes, da mais recente delas, a CTB, fundada em dezembro último.

Lula brincou: ''Vocês não precisam se gostar, não precisam se amar, não vão fazer casamento entre vocês. As convergências são infinitamente maiores que as divergências.'' Lula lembrou que, no passado, quando uma central sindical ia ao presidente, as demais se recusavam a participar do mesmo encontro.

Abaixo-assinado de 1 milhão

Na segunda-feira (11), as centrais lançaram um abaixo-assinado em defesa da redução da jornada de trabalho, sem alteração em salários e benefícios, dentro da Campanha Nacional Unificada pela Redução da Jornada de Trabalho, iniciada em janeiro. O objetivo é colher 1 milhão de assinaturas em apoio ao projeto do deputado (hoje senador) Inácio Arruda (PCdoB-CE), que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.

Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fundamenta a proposta pela geração de empregos que ela produziria. A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (uma queda de 9,09%) poderia gerar 2,25 milhões de postos de trabalhos no país, sustenta o Dieese.

Fonte: Vermelho

Leia Também:

Mensagem de Lula ao Congresso beneficia trabalhadores Dircurso de Lula às centrais sindicais

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

ATO EM SÃO PAULO DÁ A LARGADA DA CAMPANHA PELA REDUÇÃO DA JORNADA

por Osvaldo Bertolino


Com a presença de mais de mil pessoas, as centrais sindicais lançaram, na segunda-feira (11), a Campanha Nacional pela Redução da Jornada de Trabalho sem redução de salário. No início do evento, ocorrido no centro da cidade de São Paulo, os oradores anunciaram que os metalúrgicos paulistas ligados à Força Sindical atrasaram em uma hora o início da jornada, em 32 municípios do Estado, como parte da campanha.


O ato oficial começou com o pronunciamento do presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, que saudou uma manifestação de motoboys que protestavam contra as medidas que penalizam os motociclistas — entre elas o excesso de multas e o aumento abusivo do seguro obrigatório. Em seguida, o presidente da CTB disse que aquele ato estava lançando a campanha em todo o país e que a demonstração de unidade do movimento sindical em torno da bandeira da redução da jornada de trabalho era um passo decisivo.


CTB defende 1º de Maio unificado


Wagner Gomes lembrou que o Brasil tem uma grande dívida com os trabalhadores — a má distribuição da renda nacional. “A redução da jornada de trabalho sem reduzir o salário é uma das formas para combater a concentração da renda nas mãos de poucos, o retrato da injustiça social em nosso país”, afirmou. O presidente da CTB também conclamou os trabalhadores a fazer um grande esforço para coletar as assinaturas até o 1º de maio — quando a campanha deverá ganhar novo impulso. “Está na hora de as centrais fazer um 1º de Maio unificado e fazer também um congresso para unificar as lutas pelas principais bandeiras dos trabalhadores”, finalizou.


O integrante da direção nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Antônio Carlos dos Reis, o Salim, disse que a unificação das centrais é a garantia de mais dignidade para os trabalhadores. E citou os exemplos do aumento real do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR), que, segundo ele, foram resultados da unificação das centrais. “Agora, precisamos desta unidade para fazer os congressistas, os governantes, votarem a favor do projeto dos senadores Paulo Paim e Inácio Arruda”, disse.


Luizinho, representante da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), afirmou que a bandeira prioritária das centrais é mais e melhores empregos. “Para acabar com a informalidade do trabalho no Brasil, é preciso quebrar o gesso constitucional que impede a redução da jornada”, afirmou, em alusão ao fato de a Constituição estabelecer a jornada de trabalho em 44 horas semanais. “Por isso, estamos empenhados em fazer com que os congressistas ouçam a classe trabalhadora”, disse ele. Ao mesmo tempo, segundo o representante da NCST, é preciso cobrar urgência para a legalização das centrais.


Regulamentação das convenções da OIT


Pela Força Sindical, primeiro falou José Eleno Bezerra — presidenteda Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi,e vice-presidente da central. “Quero ressaltar a importância deste grande passo que as centrais unidas estão dando em defesa dos direitos dos trabalhadores”, afirmou. “Com a redução da jornada, os trabalhadores terão mais tempo para estudar, se capacitar — além de ter mais tempo para o lazer”, afirmou. José Eleno Bezerra também lembrou que os metalúrgicos paulistas iniciaram o dia com paralisações para marcar o lançamento da campanha.


Edílson de Paula, presidente paulista da sessão estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), também lembrou que a 4ª Marcha, realizada no ano passado, resultou em aumento real do salário mínimo e na correção da tabela do IR. “Agora, esta unidade não pode se restringir a este ato — ela precisa chegar aos locais de trabalho”, destacou. Edílson de Paula também comentou a decisão do governo Lula de enviar ao Congresso Nacional a regulamentação das convenções 151 e 158 da OIT como resultado da luta unitária das centrais.


Cartão corporativo e cartão de ponto


Gilson Reis, presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Simpro-Minas) e coordenador da CTB naquele Estado, anunciou que uma delegação mineira estava presente e que ao mesmo tempo um ato semelhante estava ocorrendo em Belo Horizonte. Segundo ele, três questões fundamentais deveriam ser destacadas na campanha: a redução da jornada, que não ocorre desde a Assembléia Nacional Constituinte de 1988; a alta produtividade do trabalho registrada nos últimos anos; e a defesa de uma agenda política do trabalho, que se oponha à tentativa da direita de impor a sua agenda conservadora.


Gilson Reis destacou que enquanto a direita tenta impor a agenda dos cartões corporativos, as centrais defendem a agenda do cartão de ponto, do trabalhador. “Redução da jornada, reforma agrária, reforma tributária justa para o trabalhador e desenvolvimento com valorização do trabalho é a agenda que as centrais defendem”, afirmou. Ele também lembrou que a unidade dos trabalhadores é a bandeira mais importante para o desenvolvimento destas lutas.


Taxa de juros e remessa de lucros


O vice-presidente nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, também destacou a importância da unidade das centrais sindicais. “Esta unidade da classe operária é que nos leva à vitória”, disse ele. “Só unidos sairemos vitoriosos desta batalha”, afirmou. Para Bira, a redução da jornada de trabalho é fundamental para combater o desemprego. “Sem trabalho, o trabalhador e sua família não têm saúde, moradia, alimentação e se desagrega”, destacou. “O emprego é um direito do trabalhador”, enfatizou.


Bira também falou sobre a alta taxa de juros praticada pelo Banco Central (BC) — segundo ele um dos fatores que causam tanto desemprego no país. De acordo com Bira, Henrique Meirelles, presidente do BC, está tentando sabotar a economia nacional e enganando o presidente Lula ao dizer que o país precisa de uma taxa de juros elevada. O vice-presidente da CGTB também falou sobre a remessa de lucros pelas multinacionais ao exterior, que alcançou US$ 21,2 bilhões em 2007. “Enquanto eles enviam este lucro para fora, pagam salários miseráveis aqui”, disse.


Combate também ao banco de horas


O presidente da UGT, Ricardo Patah, disse que a redução da jornada tem dois vieses: a educação do trabalhador, que hoje enfrenta uma jornada que impede a dedicação aos estudos; e a criação de empregos. Patah também afirmou que é preciso combater o banco de horas — segundo ele uma situação de descaso com a saúde e a vida social dos trabalhadores. O presidente da UGT destacou que uma minoria da sociedade concentra grandes riquezas sem trabalhar enquanto a imensa maioria trabalha até mais de 50 horas por semana. “As centrais unidas têm força e voz para começar a mudar esta situação”, afirmou.


Outro representante da Força Sindical, o secretário-geral da central João Carlos Gonçalves, o Juruna, declarou que a conquista da redução da jornada será fundamental. “As centrais trabalhando unitariamente é a certeza de que podemos obter esta vitória”, disse. Juruna lembrou que a luta pela redução da jornada é antiga. Segundo ele, desde o início do século XX que os trabalhadores têm esta bandeira como uma de suas prioridades. As vitórias obtidas ao longo desta luta, afirmou, podem continuar agora com esta campanha.


CUT defende unidade na Luta


O presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, lembrou que há 20 anos não ocorre redução da jornada de trabalho no Brasil. “Nestes 20 anos, os empresários elevaram seus lucros por meio da produtividade”, disse. Segundo Artur, a produtividade da indústria brasileira cresceu 150% nos últimos 15 anos. “Os salários médios no Brasil ainda estão abaixo da maioria dos países que mantêm relações comerciais conosco. Esses dois fatores comprovam que há não apenas espaço, mas necessidade da redução da jornada", ressaltou.


Ele também destacou que com a redução da jornada de 44 para 40 horas será possível gerar mais de 2,2 milhões de empregos, repartindo com o conjunto da sociedade os imensos ganhos obtidos com o aumento da produtividade. Sobre a unidade das centrais nesta campanha, Artur disse que ela tem grande importância. Segundo ele, cada central tem a sua forma de interpretar a conjuntura política e outras questões pertinentes aos trabalhadores, mas a unidade na luta é uma muito importante.


Importância para as mulheres


Outra questão relevante lembrada no ato foi o papel das mulheres nesta campanha. A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) e dirigente da CUT Lucilene Binsfeld, a Tudi, disse que a redução da jornada é importante para o bem-estar do trabalhador, valorizando o convívio familiar e o direito ao lazer. A presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo — filiado à Força Sindical —, Eunice Cabral, também falou sobre a importância da redução da jornada de trabalho para as mulheres.


A secretária de formação e cultura da CTB, Celina Arêas, lembra que o ato de lançamento da campanha marcou o início de uma luta que tem particular importância para as mulheres. “Para se ter uma idéia desta importância, no país 109,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade declaram exercer atividades domésticas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, de 2001 e 2005”, afirma. Celina Arêas destaca que a dupla jornada atinge principalmente as mulheres. “As mulheres têm um percentual de participação em afazeres de casa de 90,6% (71,5 milhões), enquanto 51,1% (37,7 milhões) dos homens realizam esse tipo de tarefa”, afirma.

Fonte: Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

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