sábado, 1 de março de 2008

CONVENÇÃO 158 DA OIT: O QUE ELES DIZEM E O QUE ELES TEMEM

Augusto César Petta*

Há meses atrás, estive em Volta Redonda, para coordenar um curso promovido pelo Centro de Estudos Sindicais e pelo Sindicato dos Professores do Sul Fluminense. Tive a oportunidade de conhecer, um pouco mais, essa cidade onde está situada a Companhia Siderúrgica Nacional-CSN.

Fiquei impressionado com o tamanho do espaço onde se situa essa grande empresa. Mas, o que mais me surpreendeu foi o número de prédios comerciais e residenciais que pertencem à CSN. Os colegas da diretoria do Sinpro - Sindicato dos Professores- , num passeio de carro, foram apontando muitos prédios e residências, todos parte do capital concentrado na CSN. Ao concordar com a privatização da CSN, o Governo FHC vendeu a preços muito inferiores aos estabelecidos pelo mercado, essa imensa riqueza, levando à prática , aquilo que dizia sobre a necessidade do ''fim da Era Vargas''.

Pois bem, no último dia 26, num artigo publicado na Folha de São Paulo, o senhor Benjamim Steinbruch, diretor-presidente da CSN e primeiro vice-presidente da Fiesp, investe violentamente contra a possibilidade de que o Congresso Nacional venha a aprovar o pedido de ratificação da Convenção 158 da OIT, enviado pelo Governo Lula, no dia 14 de fevereiro de 2008. Reconhece que, no Governo Lula, foram criados 6,4 milhões de empregos com carteira assinada, e diz que a aprovação da referida Convenção provocará grandes retrocessos. Recorre aos ensinamentos de um dos consultores que mais defendem os interesses patronais no Brasil, o sr. José Pastore, que afirma que as consequências práticas da adoção da Convenção referem-se à criação de burocracias, prolongamento do prazo de demissões, aumento de custos, relutância das empresas em abrir vagas, aumento do desemprego de longo prazo e dos gastos do governo com seguro-desemprego, e aumento do número de ações trabalhistas. Nesse mesmo dia, também na Folha de São Paulo, um leitor de Camaragibe-PE, escreve dizendo que caso seja aprovada a referida Convenção, ''restam ao PT, aos sindicalistas e ao Presidente, outras medidas modernizantes: substituir as estrelas da Bandeira Nacional pela foice e martelo; o Hino Nacional pela Internacional Comunista; o verde e amarelo da seleção brasileira pelo vermelho chavista; a cédula eleitoral pelo cartão corporativo; Tiradentes por Mao''.

Levanta-se uma questão: qual o conteúdo da Convenção 158? Ele é tão explosivo capaz de provocar tantos retrocessos, como afirmam Streinbruch e Pastore? Será capaz de tantas transformações que poderiam questionar profundamente o sistema capitalista no Brasil? O que efetivamente os empresários temem?

A Convenção 158 foi promulgada pela Organização Internacional do Trabalho-O.I.T.- em 1982. Na justificativa da aprovação, aparece como necessária, para enfrentar os graves problemas relacionados ao trabalho, em função das dificuldades econômicas e das mudanças tecnológicas ocorridas, em grande número de paises. A Convenção - baseada no princípio de que o emprego é um bem social a ser preservado - tem 22 artigos, sendo o de número 4, o que define basicamente o seu conteúdo: ''Não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador, a menos que exista para isso uma causa justificada, relacionada com sua capacidade ou seu comportamento, ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa, ou estabelecimento ou serviço''. O artigo posterior esclarece que a filiação a sindicato, a participação em atividades sindicais fora das horas de trabalho ou com o consentimento do empregador durante as horas de trabalho, o fato de ser candidato a representante dos trabalhadores ou atuar ou ter atuado nessa qualidade, o fato de apresentar uma queixa ou participar de um procedimento estabelecido contra um empregador por supostas violações de leis ou regulamentos ou recorrer perante as autoridades administrativas competentes não poderão ser consideradas causas que justifiquem a demissão. Também são injustificas demissões por questões raciais, de estado civil e gravidez.

No Brasil, a Convenção 158 foi promulgada pelo Congresso Nacional, em 1992, sendo que, no apagar das luzes de 1996, no dia 20 de dezembro,FHC decretou o seu fim, satisfazendo os interesses dos gananciosos empresários, ávidos de demitir ao seu bel prazer, na maioria das vezes, arbitrariamente.

Na realidade, o que o patronato teme, é qualquer medida que possa situar os trabalhadores, em melhor posição na luta de classes e que possa colocar limites à exploração do trabalho. Sendo assim busca eliminar, ou nem mesmo permitir que essa medida possa ser colocada, em prática. Não se trata, nem mesmo, de estabilidade de emprego, o que seria desejável. É apenas uma justa proteção contra demissões arbitrárias. Não tem absolutamente o caráter explosivo de retrocessos e de supostas transformações do modo de produção. O capitalismo não sofrerá grandes abalos pela adoção da referida Convenção, ainda que desejássemos que assim fosse.

Mesmo não tendo, por si só, esse caráter de grandes transformações, poderá contribuir para a diminuição desse quadro terrível de mais de 12 milhões de trabalhadores demitidos, em 2007, no Brasil. Seria refreada a enorme rotatividade de emprego, no mercado de trabalho. E, quando a rotatividade decresce, a possibilidade da mobilização e da organização dos trabalhadores cresce. Quando os trabalhadores não podem ser demitidos pelo fato de lutarem por melhores salários e condições de trabalho, a participação nessa luta tende a aumentar.

Por isso, as Centrais Sindicais, inclusive a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB - , apóiam a Convenção 158 e, para tanto, trabalharão no sentido de que o Congresso Nacional venha a aprovar o pedido do Governo Lula, para ratificá-la.

Penso que as entidades sindicais, ao mesmo tempo que pressionam o Congresso para que haja a ratificação, devem incluir o conteúdo da Convenção nas sua pautas de reivindicações, para que haja a possibilidade de que venha a constar nas suas respectivas convenções coletivas.

Augusto César Petta, é diretor do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, do Centro de Estudos Sindicais e membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB.

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SALÁRIO MÍNIMO AGORA É DE R$415


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou na noite de sexta-feira (29) a medida provisória que reajusta o salário mínimo de R$ 380 para R$ 415 a partir de hoje (1/3). O valor supera a previsão inicial do mínimo, que era de R$ 412,40. Ele representa 9,2% de reajuste em relação ao valor atual (R$ 380) e 4,0% de aumento real.

O novo valor supera também a soma da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 com a inflação. De acordo com a MP, o valor diário do salário mínimo será de R$ 13,83 e a hora valerá R$ 1,89. Em dólares, ele chega a pouco mais de US$ 245.

A informação do palácio do Planalto é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu dos ministros três propostas de valor e optou pelo mais alto. O número final, segundo a imprensa, foi um arredondamento proposto pelo ministro Luiz Marinho (Previdência), ex-metalúrgico da Volkswagen e dirigente sindical.

A publicação da medida provisória está prevista em edição extra do Diário Oficial da União, com data de hoje.

Comparação Lula-FHC

O gráfico ao lado acompanha a evolução do salário mínimo nos governos Lula e Fernando Henrique Cardoso.

Nos oito anos de FHC, o mínimo passou de R$ 100 para R$ 200, um aumento nominal de 100%. Descontada a inflação do período, o aumento real foi de 44,5%.

Lula, em seis anos, elevou o mínimo de R$ 200 para R$ 415, um aumento nominal de 107,5% e real de 37,0%. Para os seus dois mandatos superarem os do seu antecessor no quesito salário mínimo, ele precisará fixar em 2009 e 2010 aumentos reais acima de 5,5% cada.



PARA DIEESE, SALÁRIO MÍNIMO DEVIA SER DE R$1.924,59

Apesar de o valor ser superior ao previsto no projeto de lei enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional, o novo salário mínimo, de R$ 415, ainda é inferior ao necessário para cobrir os custos de uma família, como está previsto na Constituição, aponta pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Pelo estudo, o salário mínimo no início deste ano deveria ser de R$ 1.924,59.

“Isso é uma estimativa de quanto deveria ser o salário mínimo para haver uma reposição de força de trabalho digna”, afirmou José Maurício Soares, economista do Dieese.

No Artigo 7º, Inciso IV, Capítulo II (Dos Direitos Sociais), a Constituição define salário mínimo como aquele “capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.

Segundo o economista do Dieese, para se chegar a esse valor foi pesquisado o gasto médio do terço da população brasileira com menor renda. Além disso, considerou-se uma família composta por dois adultos e duas crianças que, juntas, consumiriam o equivalente a um adulto. “Com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) que fizemos, a distribuição dos gastos no terço de renda inferior tem 35,71% do total com alimentação”, afirmou Soares.

Dessa forma, o salário necessário seria aquele em que três cestas básicas (suficientes para alimentar dois adultos e duas crianças) representariam 35,71% de seu valor. No início do Plano Real, há 14 anos, com um salário mínimo não era possível se comprar uma cesta básica. O salário mínimo atual chega próximo ao valor de duas cestas básicas.

Soares explicou que isso se deve à queda da inflação a partir do Plano Real: “Como a inflação era decrescente, acabava-se dando um reajuste maior do que o índice do final do ano. E nos últimos anos é um aumento definido com as centrais sindicais, num projeto de lei que deve vigorar, mas ainda não foi votado no Senado”.

O reajuste do salário mínimo, definido por medida provisória, foi calculado levando em conta a variação da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) medido dois anos antes do reajuste. No caso atual, o índice de aumento real do salário mínimo deveria ser de 3,7%, proporcional ao crescimento do PIB do ano de 2006.

Fonte: Vermelho

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4ª ENQUETE DE CLASSE

Encerrou em 29 de fevereiro a 4ª Enquete de Classe desse blog.

A pergunta foi:

Quem gasta mais dinheiro público sem divulgar?

8 companheiros votaram sendo

1 (12%) que "O governo Lula"

4 (50%) que "O governo tucano de São Paulo"

2 (25%) que "O judiciário"

1 (12%) que "O Congresso Nacional"

Com o (mau) uso dos cartões tucanos divulgados até na Folha de São Paulo, não é surpresa que o governo Serra tenha ficado em 1º disparado. Mas prestem atenção no segundo colocado. Essa caixa-preta tem que ser aberta.

Agradecimentos àqueles companheiros que responderam a Enquete de Classe.

Já está no ar nova pergunta.

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