sábado, 28 de junho de 2008

NOVO PCS DA CAIXA: APESAR DE TUDO, O PRIMEIRO PASSO DA ISONOMIA

Em nova rodada de negociação, no dia 25 de junho, véspera das assembléias que debateriam o tema, a Caixa modificou sua proposta de PCS (Plano de Cargos e Salários) para os empregados.

Na verdade, a única alteração foi aumentar o valor da parcela indenizatória, ou seja, aumentar o valor pago pelas consciências de parte expressiva dos bancários da Caixa. O mínimo a ser pago foi de R$311 para R$500 e o máximo de R$8mil para 10mil.

Essa jogada do governo Lula, por intermédio dos seus nomeados na direção da Caixa Econômica Federal, fez com que implodisse a capacidade de luta dos bancários da Caixa. Ainda haveria espaço, obviamente, para a construção de um PCS decente, estendendo outros direitos de isonomia, mas a Caixa (governo) apostou na divisão dos empregados e na aquisição em espécie de parte das consciências. Com isso, a greve, único instrumento que seria capaz de forçar a Caixa a melhorar sua proposta, ficou impossibilitada.

O desânimo que se abateu sobre uns, e a venda da consciência por outros são fatores preocupantes para as próximas campanhas dos bancários, pois é na Caixa onde até aqui se concentrava a maior capacidade de combate e resistência da categoria.

Mas, apesar da divisão promovida pela Caixa (governo), há luz no fim do túnel. Em importantes bases sindicais o novo PCS foi aprovado por margem muito pequena e em diversas outras a proposta da Caixa foi rejeitada pelos bancários, incluindo Brasília e Rio de Janeiro. As assembléias que rejeitaram não apontaram também qual o caminho da luta e deverão rever, em novas assembléias suas posições, sob pena dos empregados da Caixa em suas bases ficarem excluídos. Mas a luz no fim do túnel é uma mostra de que ainda há disposição de luta entre os empregados da Caixa e o desânimo provocado pelo governo é bastante menor que o previsto.

Em que pese o novo PCS da Caixa ser longe do possível e muito longe do que merecem os bancários, ele representa um passo na luta pela isonomia e por avanços nas condições de trabalho. A partir de agora, termina a distinção entre antigos (Escriturários) e novos (Técnicos Bancários – TB), pois não existirão mais o PCS 89 e o PCS 98, mas apenas o PCS 2008, ainda que este não seja uma maravilha. A exceção fica por conta da discriminação absurda promovida pela Caixa (governo) ao excluir os cerca de 12mil escriturários que não saldaram o antigo plano de benefícios da Funcef.

Daqui em diante não há mais argumento válido para não estender o ATS (anuênio) e a Licença-Prêmio aos TBs. A unificação dos PCSs na Caixa quebrou a Resolução 9/1996 do Departamento de Coordenação e Controle da Empresas Estatais (DEST), órgão do Ministério do Planejamento que fragmentou as carreiras nas estatais federais, eliminando direitos dos trabalhadores.

Em julho acontece o Conecef (Congresso Nacional dos Empregados da Caixa) que debaterá as reivindicações específicas dos bancários da Caixa. Com certeza estarão entre as prioridades aprovadas o ATS, a Licença-Prêmio, a isonomia completa e a inclusão dos 12mil companheiros que a Caixa (governo) excluiram do novo PCS.

Também em julho, começam as conferências dos bancários em todos os estados. Se a conquista, mesmo que parcial, dos empregados da Caixa servirem de exemplo para animar a luta da categoria, teremos chumbo grosso em setembro.

Confira os resultados das assembléias das capitais onde já se realizaram *:

Aprovaram o novo PCS

Acre

Alagoas

Amapá

Bahia

Cuiabá

Curitiba

Florianópolis

Mato Grosso do Sul

Pará

Paraíba

Pernambuco

Piauí

Roraima

São Paulo

Rejeitaram o novo PCS

Belo Horizonte

Brasília

Ceará

Espírito Santo

Maranhão

Rio Grande do Norte

Rio de Janeiro

*Fonte: FENAE

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PERFIL: A DEGRADAÇÃO DO TRABALHO BANCÁRIO

O Portal da CTB inicia a publicação de textos que mostram as transformações pelas quais o trabalhador bancário passou nos últimos anos. Trata-se de um processo intensificado nos anos 90 – resultado da dominação do setor por grandes conglomerados financeiros, principalmente estrangeiros. A desnacionalização e a adoção de novos equipamentos nas agências, iniciada no final dos anos 60, mudou o perfil da categoria.

Por Osvaldo Bertolino

No dia 25 de julho de 1996, o então executivo brasileiro Henrique Meirelles foi chamado à sala de reuniões da sede mundial do Banco de Boston, nos Estados Unidos. Ali, numa sessão solene, ele recebeu oficialmente a notícia de que acabara de ser nomeado presidente mundial da instituição financeira.

Encerrada a cerimônia, os senhores engravatados daquela sala partiram para a comemoração – um jantar no restaurante da sede mundial do banco. Seis anos depois, em 2002, com Luis Inácio Lula da Silva já eleito presidente da República, ele foi chamado pelo então futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para ser o presidente do Banco Central (BC) — cargo que ocupa até hoje.

A causa principal da ascensão fulminante de Meirelles está relacionada às transformações radicais que se iniciava no setor bancário. Sua trajetória meteórica neste período é reflexo da opção que os governos neoliberais – primeiro o de Fernando Collor de Mello, depois o de Fernando Henrique Cardoso (FHC) – fizeram para “modernizar” a economia brasileira — o processo de “estabilização monetária”, ancorado na ciranda financeira, tem nos bancos o seu principal pilar de sustentação.

Muro de arrimo brasileiro

O atual presidente do BC tornara-se, na presidência do Banco de Boston, o executivo brasileiro mais bem colocado e mais bem pago no mundo. Ele, que era presidente da filial brasileira do banco havia doze anos, encarnava como ninguém a “modernidade” anunciada com alarde desde a eleição de Collor à Presidência da República, em 1989. Nesse período, a subsidiária brasileira do Banco de Boston multiplicou por 45 o volume de seus ativos: de US$ 100 milhões, em 1984, para 4,5 bilhões em 1996.

No final da década de 80 e começo dos anos 90, quando o setor bancário norte-americano mergulhou numa de suas piores crises, os negócios latino-americanos (o Brasil, em particular) tornaram-se o muro de arrimo para os bancos estrangeiros — uma avaliação do insuspeito The Wall Street Journal. Isso explica porque o nome de Meirelles soou mais forte do que os de três outros candidatos norte-americanos que concorriam com ele.

Dinherama do Proer

Com a recessão provocada pelo Plano Collor e seu confisco, a demanda do mercado financeiro pendeu para o lado dos bancos tidos como mais seguros — os estrangeiros. Depois, logo após o Plano Real, a crise do sistema financeiro abalou ainda mais a credibilidade dos bancos privados brasileiros. Ponto para os estrangeiros, como o Citibank e o Boston.

No final de 1995 veio a dinherama do Proer — uma mamata de mais de US$ 20 bilhões drenada dos cofres públicos para evitar uma quebradeira generalizada dos bancos. O Proer foi um instrumento que contribuiu para consolidar o Plano Real — que tinha nos bancos o seu principal sustentáculo. Uma corrida aos guichês bancários naquele momento teria efeitos funéreos para o projeto neoliberal.

Santander entra na tourada

O saldo desta metaformose foi o fechamento de alguns bancos e a adequação do setor ao novo cenário — redesenhado pela predominância dos grandes grupos. Boa parte da geografia bancária foi ocupada pelos conglomerados estrangeiros. O símbolo desta ocupação é o Santander, cuja disseminação por vários países e, principalmente pela América Latina, presta-se bem a uma investigação dos efeitos de sua distribuição espacial no território brasileiro.

O Santander, maior grupo financeiro da Espanha, do qual muita gente nunca tinha ouvido falar antes, entrou na tourada - saiu comprando bancos por aí. Ao ir às compras, mostrou a que veio: transformar-se num nome conhecido no Brasil e num dos maiores bancos do país. Primeiro, o grupo abocanhou o Banco Geral do Comércio, do grupo Camargo Corrêa. Depois, foi a vez do Noroeste, das famílias Cochrane e Simonsen. Mais tarde, levou o Banespa — o ex-banco estatal paulista que simboliza bem a trama montada pelos neoliberais para entregar as instituições financeiras dos Estados aos grupos privados.

Padronização e homogeneização

Reforçado, o Santander passou a dominar o setor ao lado de gigantes como os brasileiros Itaú e Bradesco, e com concorrentes internacionais do porte do HSBC, do Citibank e do ABN Amro Bank. Este novo mundo organizacional bancário trouxe consigo uma abrupta precarização do trabalho. “As agências bancárias hoje são postos de vendas dos grupos financeiros”, diz Eduardo Navarro, presidente da Federação dos Bancários da Bahia e de Sergipe e diretor ajunto de finanças da CTB. “O cliente assumiu um papel de destaque, desencadeando todo o processo de trabalho nas agências”, explica.

O perfil do bancário atual é muito parecido com o do trabalhador do comércio — o banco é uma grande loja com suas vitrines coloridas e seus vendedores radiantes cumprindo metas de vendas de produtos. “Houve uma elitização do acesso ao sistema com a transferência do pagamento de contas para as lotéricas”, diz Navarro. O controle do processo de trabalho passou a ser mais intenso devido à distribuição das agências pelo extenso território brasileiro. “Daí a padronização e homogeneização dos procedimentos pelos inúmeros manuais de instrução e normas internas”, afirma.

Reestruturação operacional

Outra característica da degradação das condições de trabalho apontada por Navarro é a adoção de novos equipamentos nas agências — uma tendência iniciada no final dos anos 60 quando foram criados os Centros de Processamento de Dados (CPDs) que agilizavam o “setor de retaguarda”. No início dos anos 80, foi a vez da automação do setor de “vanguarda”, com a implantação do sistema online que ligou os terminais locados nas agências com os CPDs — constituindo a rede online do banco e a informatização de todos os setores.

A área de marketing e campanhas publicitárias, juntamente com a modernização do layout das agências, completou um projeto estratégico mercadológico de tratamento da imagem dos bancos como instituições modernas e eficientes. A última etapa do processo de automação foi no início dos anos 80, com o surgimento dos caixas automáticos, do telemarketing e dos home banking. A reestruturação operacional do setor reduziu níveis hierárquicos, implantou programas de qualidade total, flexibilizou relações de trabalho e lançou mão de trabalhadores terceirizados em grandes escala.

Trabalho estressante

Navarro explica que as transformações do setor bancário dos anos 90 trouxeram uma aceleração do redesenho da organização do trabalho bancário. “Muita gente foi demitida e novas formas de uso e gestão da força de trabalho resultaram numa degradação das condições trabalho muito grande”, diz ele. “A terceirização implica numa desqualificação do trabalhador bancário e praticamente acabou com chamado domínio do saber da profissão”, afirma Navarro. Segundo ele, a sobrecarga de trabalho é outro elemento que contribui para o desgaste físico e mental da categoria.

O trabalho bancário sempre foi estressante. Desde a reforma do setor em 1968, o volume de serviços prestados pelos bancos cresceu intensamente. A economia se dinamizou e com a diversificação dos serviços prestados os bancos passaram a receber tributos e contribuições da Previdência Social, a fazer operações de cobrança, venda de seguros, administração de diferentes tipos de investimentos e a oferecer linhas de crédito - entre outros serviços.

Tarefas não prescritas

Com a automação iniciada nos anos 80 e o progressivo corte de pessoal, no entanto, os bancos passaram a concentrar a execução de uma gama complexa e diversificada de atividades em poucos funcionários com conhecimentos do trabalho bancário. “Ocorreu uma tendência a diminuição dos níveis hierárquicos para dois níveis - ou seja, as funções de gerentes e atendentes”, explica Navarro. Segundo ele, as funções de atendentes também estão sendo reduzidas e tendem a se diluírem em equipes de vendas e negócios.

Para cumprir suas novas funções, o bancário precisa de conhecimento sobre o mercado financeiro, domínio de tecnologia para realização de simulações financeiras, habilidade de relacionamento com clientes e com a equipe de vendas e precisaria saber lidar com tarefas não prescritas, diferentemente das exigências anteriores nas quais deveria seguir fielmente o manual. “Muitas vezes os treinamentos são feitos fora do horário de trabalho e em finais de semana”, denuncia Navarro.

Funções fragmentadas

Mudanças significativas no status da profissão de bancário também implicam em uma sobrecarga de responsabilidade para a categoria. “Grande parte dos processos de requalificação, que anteriormente eram oferecidos pela empresa, passaram a ser de responsabilidade do trabalhador e tornaram-se pré-requisitos para promoções, novas contratações e até para a sua manutenção no emprego”, diz Navarro. “As exigências são tantas e a remuneração tão baixa que o bancário de profissão está desaparecendo”, afirma.

Segundo Navarro, o trabalhador que conhecia todo serviço bancário passou a ser um funcionário que reponde por funções polivalentes e com altas taxas de rotatividade. “Em geral, o trabalho é exercido por jovens sem expectativas de permanecer na atividade - o que contribuiu para a degradação da profissão”, diz ele. Esta é uma das fontes dos lucros exorbitantes que as instituições financeiras no Brasil vêm conseguindo desde os anos 80. Há outras, que igualmente implicam em degradação do trabalho bancário – assunto do próximo texto.

Fonte: Portal CTB

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GOMYDE PREFEITO - MARIO FERRARI VICE

Em concorrida convenção, o PCdoB lançou sua chapa às eleições municipais em Curitiba.

O Partido, corajosamente, concorrerá à prefeitura com Ricardo Gomyde e Mario Ferrari, na vice. Outros 30 militantes são candidatos à Câmara Municipal na chapa própria do PCdoB em Curitiba.


Destacamos os companheiros da direção estadual da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) que concorrerão em outubro na capital paranaense. O médico Mario Ferrari, vice-prefeito e os candidatos a vereador Célio Bolinha (Sintrafucarb) e a Professora Laura (Sind/Seab).

Veja mais:

PCdoB de Curitiba divulga perfil dos candidatos a prefeito e vice

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