terça-feira, 27 de janeiro de 2009

OS 25 ANOS DO MST E O ÓDIO DA FOLHA

Altamiro Borges

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemora nesta semana os seus 25 anos de existência. Lideranças políticas, artistas e intelectuais de renome já saudaram a data como um feito histórico, destacando a militância aguerrida do movimento, sua organicidade, seu papel pedagógico e civilizador e sua importante contribuição à luta por mudanças no país e na América Latina. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, por exemplo, enviou uma nota singela e carinhosa: “Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o MST e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo”.

O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, destacou o papel do MST na luta pela reforma agrária, num país que “apresenta forte predomínio do monopólio da terra, de grandes áreas improdutivas e de gigantescas empresas monopolistas nacionais e estrangeiras”. Já Ricardo Berzoini, dirigente do PT, frisou a contribuição do MST na “reconstrução da democracia brasileira, tarefa ainda em curso que exige sempre a unidade na diversidade daqueles que lutam por um país democrático e justo”. E Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, opinou que “o MST é o mais profundo e, por isso, o mais importante movimento social brasileiro”. PSOL, PSTU e PCB também deram apoio.

A teimosia e as conquistas

Artistas conscientes, como o dramaturgo Augusto Boal, a sambista Leci Brandão, a atriz Lucélia Santos e os atores Osmar Prado e Paulo Betti, enviaram suas mensagens de “parabéns”. Outras palavras de reconhecimento e de apoio devem chegar nestes próximos dias, inclusive do exterior – já que o MST possui núcleos de apoiadores em vários continentes e goza de prestígio junto aos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e Raul Castro (Cuba). As comemorações que se realizam em Sarandi, interior gaúcho, local da primeira ocupação de terras do MST, deverão ter intensa carga emocional, “mística”.

Esse reconhecimento, como aponta João Pedro Stedile, integrante da sua coordenação nacional, deve-se “aos 25 anos de teimosia do MST”. Ele lembra que movimento surgiu no embalo da luta contra a ditadura e teve forte inspiração da Teologia da Libertação. Os lutadores pela terra de 16 estados, reunidos em janeiro de 1984 em Cascavel, “estimulados pelo trabalho pastoral da CPT”, davam início a um movimento que ocupou terras ociosas, que garantiu assentamentos produtivos – evitando que centenas de milhares de lavradores vegetassem no desemprego e marginalidade nos centros urbanos –, que construiu centenas de escolas no campo, formando camponeses.

A violência das oligarquias rurais

Neste percurso, o MST “pagou caro pela teimosia” e enfrentou a violência das oligarquias rurais, formadas com a mentalidade dos senhores de escravos. Segundo balanço da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre 1985/2007 foram assassinados 1.508 trabalhadores em conflitos agrários. Destes, 31 eram dirigentes do MST, que também sofreu mais de 600 processos judiciais contra 1.500 militantes. No ano passado, o Ministério Público gaúcho determinou, de forma arbitrária, a “dissolução” do movimento e sentenciou: “Cabe agora quebrar a espinha dorsal do MST”.

Além da violência do latifúndio e dos barões do agronegócio, com suas milícias de jagunços, o MST também enfrentou governos na luta pela reforma agrária e por justiça. “No governo Collor, fomos duramente reprimidos, com a instalação, inclusive, de um departamento especializado na Polícia Federal de combate aos sem-terra. Depois, a vitória do neoliberalismo do governo FHC foi o sinal verde aos latifundiários e as suas policiais estaduais. Tivemos em pouco tempo dois massacres: Corumbiara e Carajás... Mas seguimos na luta. Brecamos o neoliberalismo elegendo Lula”. Mas, lamentavelmente, “não houve a reforma agrária no governo Lula”, relata Stedile.

Parcialidade e rancor da mídia

Esta rica trajetória, que recolocou a reforma agrária na agenda política, conquistou terras em centenas de assentamentos e foi manchada de sangue de seus mártires, deveria ter, no mínimo, o respeito da imprensa nativa. Mas, a exemplo dos latifundiários, os barões da mídia nunca deram trégua ao MST. É só lembrar as capas e reportagens abjetas da revista Veja, a maneira pejorativa que a TV Globo trata os “invasores”, a cara de asco do fascistóide Boris Casoy ou os editorais rancorosos do jornal O Estado de S.Paulo, fundado pela família escravocrata dos Mesquitas.

A Folha de S.Paulo, que ainda engana os ingênuos com o seu falso ecletismo – mas que clamou pelo golpe militar contra o “perigo comunista” e a reforma agrária –, não esconde seu ódio nem na semana do aniversário. Publicou editorial raivoso e várias reportagens marotas. Na primeira delas, ate faz um rico levantamento sobre os fundadores do MST, mas a edição refinada procura mostrar sua “decadência”, priorizando os que se “afastaram”. Outro texto, que poderia estar nas páginas policiais, é intitulado “MST foi processado mais de 600 vezes”; outro estimula a cizânia entre os sem-terra e o governo Lula; outro realça que o “MST perde adeptos e recursos”.

O “jornalismo canalha” dos Frias

Todos os textos seguem a linha traçada no título do editorial: “Decadente aos 25”. Nele, a senil família Frias afirma que “o MST completa 25 anos de existência, mas não amadurece. Ameaça, agora, ‘invadir’ cidades, ou seja, intensificar a sua atuação nos centros urbanos”. A manipulação é gritante: participar das mobilizações urbanas não significa “invadir”. O ataque é brutal, quase reforçando o coro da “dissolução” dos juízes gaúchos. “Encurralado pela própria decadência, o MST reage a seu modo... Enfrentará, além de mais processos judiciais, apenas a indiferença da maioria da população”. Haja arrogância desde jornal elitista ao falar em nome da sociedade.

O ódio da Folha ao MST é antigo. No livro “O jornalismo canalha”, o professor José Arbex Jr. cita um caso emblemático, ocorrido em maio/2000, quando o servil Josias de Souza “denunciou a cobrança de ‘pedágios’ pelo MST, prática posteriormente qualificada de ‘mafiosa’ em editorial do próprio jornal, em resposta a uma denúncia comprovada e admitida de que Josias, para fazer a sua ‘reportagem’, utilizou recursos e orientação da Incra”, como pau-mandado do governo FHC. Arbex relembra outros editoriais na mesma linha, taxando as “invasões” do MST como prática “criminosa, estúpida e afrontadora” (20 de março de 2002). Como se observa, a Folha realmente deve estar triste com a “teimosia” e as comemorações dos 25 anos do MST.

Fonte: Blog do Miro

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12ª ENQUETE DE CLASSE

Encerrou em 30 de agosto de 2008 a 12ª Enquete de Classe desse blog.

A pergunta foi:

Você concorda com a campanha “Fora Meirelles”, que quer a saída do presidente banqueiro do Banco Central?

6 (75%) companheiros responderam que SIM.

2 (25%) companheiros responderam que NÃO

De lá para cá muita coisa aconteceu, estourou a crise e até mesmo setores que apoiavam a política de arrocho do BC, que só favorece banqueiros, passaram a questionar as decisões do banqueiro do Banco Central.

FORA MEIRELLES!

Agradecimentos àqueles companheiros que responderam a Enquete de Classe.

E respondam a nova pergunta.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

TRABALHADORES CONSEGUEM INICIAR A QUEDA DOS JUROS

A semana passada foi marcada pelas manifestações do movimento sindical brasileiro, que de forma unificada, exigiu que o Banco Central, ou seja, o governo Lula, derrubasse a taxa básica de juros (Selic).

Em 13 capitais as centrais sindicais se manifestaram e, juntamente com outras entidades populares, conquistaram a maior redução da taxa Selic dos últimos tempos, 1 ponto percentual.

A reivindicação original dos sindicalistas, de redução de 2pp, já era tímida, considerando que o Brasil possui a maior taxa de juros reais do mundo, e a redução promovida pelo BC foi ainda menor. No entanto, uma redução de 1pp é algo drástico, se for levado em conta que a decisão é tomada por meia dúzia de banqueiros que se encontram encastelados na direção do Banco Central, nomeados pelo presidente-operário.

A crise econômica internacional tem trazido problemas concretos no Brasil, sendo o mais grave o aumento do número de demissões. Com isso, a pressão de diversos setores da sociedade brasileira tem aumentado, a ponto de setores patronais também atacarem a política econômica do governo Lula, em especial a taxa básica de juros.

Assim, as centrais sindicais, que há tempos defendem uma drástica redução da Selic, ganharam ainda mais fôlego, ampliando o movimento e forçando, na prática o BC a deixar de ser um entrave para o crescimento econômico do país.

Ainda foi pequena a queda, mas muito maior do que é costumeiro ou desejado pelos rentistas, parasitas da riqueza alheia. O fundamental é que, mesmo com manifestações ainda não tão grandes, o sindicalismo demonstra que não aceitará a derrocada da economia brasileira para favorecer alguns parasitas.

Leia mais:

PARA CENTRAIS, MOBILIZAÇÕES FORÇARAM COPOM A REDUZIR JUROS

CENTRAIS SINDICAIS PROTESTAM POR REDUÇÃO DOS JUROS

AS BARBEIRAGENS DO BANCO CENTRAL

ESTÁ CRIADO O "BAIXÔMETRO"

SOB PRESSÃO, BANCOS ANUNCIAM REDUÇÃO DOS JUROS AO CONSUMIDOR

Foto 1 : Passeata das centrais sindicais em Curitiba - 21/01/2009 (Ivanovick)

Foto 2: Carro de som comanda a manifestação, em destaque J. Tramontini e Mario Ferrari, ambos da CTB-PR (Ivanovick)

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