terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Legado de Niemeyer vai além da arquitetura

Foto: Antonio Cruz/ABr

Luana Lourenço, Luciene Cruz e Mariana Jungmann
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - Uma das netas do arquiteto Oscar Niemeyer, Ana Lúcia Niemeyer, disse hoje (6) que o legado do avô, que  morreu ontem (5) aos 104 anos, vai além das obras arquitetônicas e inclui as ideias que ele defendeu durante a vida.

“As ideias que ele tentou passar, o humanismo, a justiça social, acho isso tão importante quanto a obra arquitetônica dele”, disse hoje, durante o velório do avô no Palácio do Planalto. Niemeyer está sendo velado no Salão Nobre.

A cerimônia de despedida do arquiteto começou por volta das 16h, com a chegada do corpo ao palácio, onde foi recebido pela presidenta Dilma Rousseff. Após a passagem de autoridades, o velório foi aberto ao público, que aguardava em uma longa fila na Praça dos Três Poderes para passar pelo caixão.

Também neto de Niemeyer, o administrador Carlos Oscar Niemeyer Magalhães, também lembrou que os ideais do avô ficarão como exemplo. “Ele tinha uma preocupação enorme com os menos favorecidos, que dizia sempre para a gente que a palavra mais bonita é a solidariedade, que a vida é um segundo, então a gente tem que viver bem e rápido, com a família e com os amigos. Acho que esse é o grande exemplo que ele deixa para nós netos, bisnetos”.

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A genialidade de Niemeyer e sua luta por um mundo novo

Renato Rabelo*


Na noite de quarta-feira, 5 de dezembro, como diria o escritor Guimarães Rosa, uma notícia de grande morte se espalhou pelo Brasil e pelo mundo. As mãos do arquiteto Oscar Niemeyer, sempre irrequietas, em estado de criação sobre a prancheta, quedaram e foram pousadas sobre seu coração que parou de bater aos 104 anos. 

Niemeyer partiu, mas já em vida – num exemplo de rara convergência nacional – havia sido conduzido pelos seus compatriotas à galeria das personalidades mais destacadas da Nação. Chegou ao panteão pela grandeza e beleza de sua arquitetura, mundialmente avaliada como um dos ícones da modernidade, e pela coerência de vida inteira com ideais revolucionários do comunismo que o levaram a selar um compromisso inquebrantável com o Brasil e seu povo.

Sua longa vida de 104 anos se assemelhou a essas frondosas árvores frutíferas de seu país tropical que, mesmo com idade avançada, não param de florir, nem de produzir frutos. Foi um homem desapegado do dinheiro e apegado ao trabalho e de uma solidariedade sem limites a seus companheiros e a todos quantos cruzaram seu destino.

A arquitetura de Niemeyer ganhou espaço e reputação no mundo. Um acervo arquitetônico de formas livres e leves, adversárias do ângulo reto e amantes das curvas. Curvas que – como ele mesmo explicou – foram encontradas “nas montanhas de meu país, na mulher preferida, nas nuvens do céu e nas ondas do mar”. Com obras espalhadas em muitos países, por vários continentes, seu trabalho fez brotar belas criaturas em concreto armado. Vários projetos poderiam retratar essa admiração de diferentes nacionalidades por suas realizações, mas, para efeito simbólico, sua participação destacada no projeto da sede das Nações Unidas, em Nova York, nos EUA, marca o reconhecimento mundial pelo valor de Niemeyer.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Deputados prestam homenagem a Oscar Niemeyer


A líder do PCdoB na Câmara, deputada Luciana Santos (PE), lamentou a morte do arquiteto Oscar Niemeyer, aos 104 anos, na noite dessa quarta-feira (5). “Oscar Niemeyer é o símbolo da persistência de um sonho, pois em nenhum momento da sua vida ele deixou de acreditar no socialismo. A capacidade de imaginação dele atravessou mares e continentes, formando gerações e gerações de arquitetos e sonhadores. Para nós, comunistas, sua trajetória é um honroso marco na nossa luta.”

Ao contrário do senado, a Câmara dos Deputados não suspendeu os trabalhos em luto pela morte do arquiteto, mas antes de iniciar as votações, na manhã desta quinta-feira (6), fez um minuto de silêncio. A homenagem foi solicitada pelo deputado Pauderney Avelino (DEM-AM): “Eu solicitaria a esta Presidência que nós fizéssemos um minuto de silêncio em homenagem à memória daquele que foi o maior arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer”.

O pedido provocou a fala de muitos parlamentares, de todos os partidos e ideologias, sobre o arquiteto. A deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), que presidia a sessão, disse que “eu acho que todos se sentem abatidos com a morte de uma pessoa que disse a seguinte frase: A vida é um minuto, e se deve vivê-la com solidariedade”.

O deputado Roberto Freire (PPS-SP) disse que “pode-se contestar o que quiser, nunca a criatividade, nunca o gênio de Oscar Niemeyer”.

Um comunista

Os parlamentares do PCdoB enalteceram não apenas a genialidade e criatividade artística, mas a ideologia de Niemeyer. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) declarou: "Niemeyer era mais que um nobre arquiteto, era um comunista de grandes lutas e de pensamentos honrados. Niemeyer era um homem do mundo, que criou a curva da arte nos prédios de concreto de inúmeras cidades com sua genialidade ímpar. O bravo Niemeyer que se foi, deixa, acima de tudo, o pensamento de que o sonho não pode morrer. Que viver com sonho é dar força e vigor aos nossos passos, na estrada da vida e das lutas sociais." 

Chico Lopes (PCdoB-CE) se solidarizou com a família do Oscar Niemeyer. No Plenário da Casa ele disse “Brasília deve muito aos seus conhecimentos e a sua dedicação. Lembro a estória de Oscar Niemeyer, quando Juscelino perguntou quanto ele queria ganhar para fazer Brasília. Ele apenas disse: Quero ser funcionário da Novacap. Isto é um brasileiro que pensa o País.”

Logo que soube a notícia da morte do arquiteto, o mesmo Chico Lopes tuitou: “O céu ganhou um grande arquiteto e o mundo perdeu um grande comunista”.

De Brasília
Márcia Xavier

Fonte: Vermelho

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