Justiça do Rio: a TV Globo joga em casa; mas Kamel está derrotado pela história
Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato…Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida(Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)
Rodrigo
Vianna*
Um
advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.
Hoje,
tivemos mais uma prova. Ano
passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido
pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a
juíza na primeira instância não me permitiu apresentar
testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a
argumentação do diretor da Globo –
sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima
para esclarecer minhas posições.
Recorremos
ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes
de discutir o mérito da ação,pedimos
que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso
prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as
testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidades que
gostaríamos de ver consultados na ação.
O
Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou
quase integralmente nossa argumentação. Negou
o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa
apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima
de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo,
certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão
à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao
diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.

