A morte justificada, mais um indígena tombado!
Igor
Vitorino da Silva*
O
silêncio cotidiano sobre o genocídio indígena no Mato Grosso do
Sul tortura-me. O grito e ação política dos indígenas e de seus
apoiadores ecoam para muitos cidadãos sul-mato-grossenses como ação
infundada, despropositada e inconsequente. Mais do que a indiferença
política e social, como acusam muitos militantes, aterroriza-me
certa cumplicidade social com o uso da violência e a celebração do
extermínio social, ou seja, aceita-se e enaltece-se socialmente a
morte como solução para a questão indígena tanto no Mato Grosso
do Sul como no resto do país.
Talvez,
haja certo exagero na minha afirmação. Ou uma “cegueira
política”, dirão os conversadores, alimentada pela indignação e
revolta que sinto ao ver as notícias de indígenas assassinados ou
de povos que foram expropriados das condições de construírem a sua
vida livre e digna, mas não há como não perceber que os povos
indígenas constituem os seres “matáveis” do desenvolvimentismo
projetado pelo Estado Brasileiro em articulação com tecnocracias,
grandes empresas, elites econômicas e oligarquias políticas
locais-regionais.


