De farsas e fantasmagorias: a decadência da direita brasileira
Inevitável começar esta reflexão com Marx: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por Danton, Louis Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho pelo tio”.
A frase abre magistralmente o primeiro capítulo da segunda edição da obra “O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte” *. Ao leitor apressado solicito que atente ao sentido exato da distinção entre “tragédia” e “farsa” que dá a devida profundidade à afirmação marxiana. A primeira refere-se às tragédias gregas, peças teatrais de grande profundidade e, não raro, apelo dramático, composta de textos profundos, de denso conteúdo. A segunda, a “farsa”, é a comédia, a obra destinada a arrancar risos da plateia. Normalmente de um texto leve e com tom satírico, a farsa apresentava nuances invertidas ou exageradas da realidade, com o objetivo de divertir o público.



