terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Primeiro ano ou terceiro turno?

Paulo Vinícius*

Graças aos acontecimentos recentes, tenho pensado em uma frase do Aldo Rebelo. Pode haver erro na citação, mas não no sentido. Foi dita quando foi ele preterido pelo aliado hegemônico na disputa à Presidência da Câmara, malgrado seu protagonismo na defesa do Governo Lula face à sanha golpista da direita e aliados ultra-esquerdistas. E a despeito de haver um entendimento sobre a sua recondução. Então, o Aldo, com aquela profundidade de análise e expressão de que é capaz, saiu-se com essa: "Vão conseguir derrotar um aliado". Brilhante. Afinal, qual é o mérito de derrotar um aliado? E, ademais, quando é para agradar os inimigos?

Penso nisso sem poder negar certo abatimento, ao constatar (sem entender) que seja tão importante assim para o Governo Dilma, aumentar em meio ponto percentual a SELIC, cortar na carne no orçamento 2011 (foi dito em campanha não haver necessidade de ajuste fiscal); derrotar as centrais sindicais na questão do aumento do mínimo e, para fechar, ainda espremer os aliados de esquerda na composição do governo.

Receita de cruz-credo

Estamos a internalizar a guerra cambial que os EUA travam com o mundo e a manter a política macroeconômica inspirada pelo neoliberalismo. Reféns da especulação rentista, temo que sigamos como a orquestra do Titanic, empertigada e autista, alheia ao naufrágio, e sem a desculpa da música (que até posso aceitar para um músico). Afinal, a ortodoxia nossa de cada dia, essa que nos faz seguir qual dogma os tais fundamentos, pra que serve mesmo?

Continue lendo >>

Centrais: dilema de Dilma é entre juros e distribuição de renda

Em reunião nesta segunda-feira (7), na sede da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), as seis centrais sindicais concluíram que a decisão do governo acerca do salário mínimo será uma “opção política entre o pagamento de juros e a distribuição de renda” e discutiram ações no sentido de reforçar a mobilização pelo mínimo de R$ 580 e transformação da política de valorização em lei, inclusive com manifestações de rua previstas para abril.

O presidente da CTB, Wagner Gomes, fez duras críticas às declarações do ex-presidente Lula, que chamou os sindicalistas de oportunistas em função da luta pelo salário mínimo de RS$ 580. "Ele perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado", afirmou o sindicalista.

"Eles é que foram oportunistas"

"Lula está com a memória curta. Não somos oportunistas. Ajudamos quando ele estava no governo e ajudamos a eleger a candidata dele à presidência. Ele perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Não devemos desviar o foco da questão central, que é o dilema entre pagamento de juros, que consome mais de um terço do orçamento público, e distribuição de renda", arremematou Gomes.

Para o presidente da CTB, "Lula pode falar o que quiser. Ele não é mais o presidente. Nós queremos falar com a Dilma". Ele revelou que durante a campanha, "quando o Serra prometeu aumentar o salário mínimo para R$ 600, Lula veio com Dilma a um comício em São Miguel Paulista e os dois garantiram que o mínimo teria aumento real. Portanto, oportunistas foram eles e não nós, sindicalistas". 

Continue lendo >>

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Marco Maia e a redução da jornada de trabalho

Altamiro Borges (Miro)*

A folgada eleição de Marco Maia para a presidência da Câmara dos Deputados – o ex-sindicalista obteve 375 votos, contra os 106 dados ao megaempresário Sandro Mabel – tem forte simbolismo para a luta dos trabalhadores. O ex-torneiro mecânico, assim como Lula, projetou-se na política como líder operário. Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas (RS) e dirigente da CUT.

Como deputado, o petista apresentou o projeto de lei número 160, em 15 de fevereiro de 2007, que propunha a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Na sequência, o parlamentar manifestou apoio ao projeto de emenda constitucional (PEC) sobre o mesmo tema, aprovado numa Comissão Especial do Congresso Nacional, por unanimidade, em junho de 2009.

Setor patronal está temeroso

Essa trajetória já foi percebida pelas entidades patronais. Segundo a revista IstoÉ Dinheiro, a eleição de Marco Maia “reacende antigos temores dos empresários, como a votação da jornada de 40 horas... ‘Sei que ele teve uma posição muito clara em relação a teses das quais somos contrários’, diz o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade”.

Continue lendo >>
Classista possui:
Comentários em Publicações
Widget UsuárioCompulsivo

Mais vistos

  ©CLASSISTA - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo