Primeiro ano ou terceiro turno?
Graças aos acontecimentos recentes, tenho pensado em uma frase do Aldo Rebelo. Pode haver erro na citação, mas não no sentido. Foi dita quando foi ele preterido pelo aliado hegemônico na disputa à Presidência da Câmara, malgrado seu protagonismo na defesa do Governo Lula face à sanha golpista da direita e aliados ultra-esquerdistas. E a despeito de haver um entendimento sobre a sua recondução. Então, o Aldo, com aquela profundidade de análise e expressão de que é capaz, saiu-se com essa: "Vão conseguir derrotar um aliado". Brilhante. Afinal, qual é o mérito de derrotar um aliado? E, ademais, quando é para agradar os inimigos?
Penso nisso sem poder negar certo abatimento, ao constatar (sem entender) que seja tão importante assim para o Governo Dilma, aumentar em meio ponto percentual a SELIC, cortar na carne no orçamento 2011 (foi dito em campanha não haver necessidade de ajuste fiscal); derrotar as centrais sindicais na questão do aumento do mínimo e, para fechar, ainda espremer os aliados de esquerda na composição do governo.
Receita de cruz-credo
Estamos a internalizar a guerra cambial que os EUA travam com o mundo e a manter a política macroeconômica inspirada pelo neoliberalismo. Reféns da especulação rentista, temo que sigamos como a orquestra do Titanic, empertigada e autista, alheia ao naufrágio, e sem a desculpa da música (que até posso aceitar para um músico). Afinal, a ortodoxia nossa de cada dia, essa que nos faz seguir qual dogma os tais fundamentos, pra que serve mesmo?


