quarta-feira, 7 de outubro de 2009

GREVE DOS BANCÁRIOS: FENABAN APRESENTA PROPOSTA


Em reunião encerrada agora há pouco, em São Paulo, a Fenaban apresentou ao Comando Nacional dos Bancários, proposta para renovação da Convenção Coletiva Nacional.

Após 14 dias de greve, os bancários obrigaram os banqueiros a, finalmente, negociar e apresentar proposta que contemple mais do apenas a reposição da inflação.

Veja a proposta que será avaliada pelas assembléias de todo o país nesta quinta-feira, dia 8 de outubro:


ÍNDICE DE REAJUSTE: 6%
(incidindo sobre salários, vales gratificações e auxílios)

PLR
REGRA BÁSICA: 90% do salário reajustado + R$1024,00
(limitado a 13% do lucro líquido ou R$6680,00)

Caso a regra básica não atinja 5% do lucro líquido, multiplica até 2,2 salários, limitado a R$14696,00
(desconta os programas próprios)

ADICIONAL: 2% do lucro líquido, distribuído linearmente
(não pode descontar programas próprios)

PAGAMENTO
1ª PARCELA: 60% da regra básica + 2% do lucro líquido do 1º semestre, em até 10 dias da assinatura da Convenção.
2ª PARCELA: 50% da regra básica + 2% do lucro líquido anual (descontado o já pago) até 3 de março de 2010.

DIAS PARADOS
A proposta inclui a mesma redação da CCT 2008/2009, com possibilidade de compensação até 15 de dezembro de 2009.

O Comando Nacional dos Bancários orienta a aceitação da proposta para os bancários dos bancos privados. Nos bancos públicos continuam as negociações nas mesas específicas.

Fonte: Bancários Classistas

sábado, 3 de outubro de 2009

PLR: O BODE NA SALA DOS BANCÁRIOS


J. Tramontini*

Desde os anos 1990, os bancários convivem com a Participação nos Lucros das empresas em que trabalham. Todo mês de setembro, com a corda no pescoço, pelas dívidas acumuladas ao longo do ano, na tentativa de manter um padrão de vida que o parco salário não pode sustentar, os bancários contam com a PLR para quitar seus débitos.
 

No entanto, assim como o governo FHC “substituía” o reajuste salarial por abonos nos bancos federais, a PLR cumpre o nocivo papel de “completar” o mirrado salário. Cada real aumentado na dita participação, sobre a qual não incide INSS ou FGTS, mas sim Imposto de Renda, significa, de fato, a diminuição do índice de reajuste. Com isso, vai-se achatando, cada vez mais, os salários dos trabalhadores bancários.

Nessa campanha salarial, a Federação dos Bancos colocou um bode na sala dos bancários. Apresentou uma “proposta” de reajuste que mal cobre a inflação e a redução drástica dos valores da PLR. Com isso, parte da categoria e do Comando Nacional dos Bancários, responsável pelas negociações com os patrões, concentra todas as suas atenções no abono disfarçado. A corda no pescoço, cada vez mais apertada, leva muitos companheiros a pensar apenas na imediata cobertura do cheque especial e afins, esquecendo do futuro de centenas de milhares de trabalhadores.

As negociações prosseguem sem solução e, infelizmente, concentradas na tal PLR. Corre-se, portanto, um grave risco. De, repentinamente, os banqueiros “bondosamente” restabelecerem os valores anteriores da PLR e, com isso, parte dos bancários ainda agradecer ao patrão por ter retirado o bode da sala, abandonando todo o restante das justas reivindicações.

Assim, faz-se necessário uma reflexão mais séria sobre a realidade da categoria. Será mesmo a PLR o centro da campanha salarial? Contribui mesmo a PLR para a renda dos bancários, ou apenas serve para achatar os salários já minguados?

Com o movimento se ampliando nos últimos anos, é momento de valorizar os trabalhadores, resgatando o orgulho de cada bancário em sua profissão. É hora de pautar, como prioridade, a recomposição dos salários, a isonomia de direitos entre novos e antigos, a contratação imediata de mais bancários.

Essa é a forma de valorizar cada trabalhador e de garantir melhores condições de trabalho e vida, não só para os atuais bancários, mas também para as gerações futuras.

E a única maneira de conquistar essa valorização é com a luta, com a ampliação e radicalização da greve.


J. Tramontini é dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e membro da Coordenação Nacional dos Bancários Classistas

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A CAIXA, OS CÃES DE GUARDA E OS TBs



Elvira Madeira*


Já faz um tempo que as posturas adotadas pela direção da Caixa Econômica Federal não são mais surpresa, nem para os antigos empregados, que viveram os duros anos de FHC e os fins da ditadura, nem para novos bancários recém-chegados na peleja do dia a dia, mais confesso que de uns tempos pra cá até os mais experimentados, até os mais repletos da credibilidade cega pela empresa têm se surpreendido com as últimas de nossos colegas diretores.
 
Desde a campanha salarial passada, esperamos ansiosos um plano de funções que resolva, ou amenize, nossos problemas cotidianos, problemas diários de quem sustenta, com salário rebaixado, família, estudos e afins. E de quem se pendura no cheque especial e no cartão de crédito, esperando o dia da santa PLR pra livrar o sufoco do ano corrente, para poder brindar o ano novo e se preparar para um novo sufoco. Problemas do cotidiano de quem se indigna com CTVAs, com jornadas de oito horas, com uma vida sacrificada e com pouco reconhecimento para muita responsabilidade. Mas estes problemas, todos do cotidiano, continuam engavetados, enquanto esperamos um plano de funções que resolva nosso dia a dia e que não seja como mais uma dádiva PLReana a nos sanar o problema dos meses seguintes.
Enquanto esperamos, ansiosos, uma negociação que nunca vem, assistimos de camarote as mudanças nos normativos RH060 e RH040, que tratam das estruturas de acesso aos cargos comissionados e o formato dos famigerados PSIs. Agora, somos chamados a participar de provas constantes, com conteúdos muito maiores do que de muitos concursos com salários de R$6mil. São provas, seleções, cursos e afins, para que se ganhe, caso aprovado em tudo isso, o incrível direito de participar de um processo de seleção interna onde serão avaliados sua graduação (Ops! O concurso da Caixa não era de nível médio?), a sua pós-graduação (Ops! E o TB? Como paga uma pós?), seus milhões de cursos da Universidade Caixa (em que tempo mesmo pode-se fazer?) e o seu tempo de função (Função? Que função?). Isso mesmo, o seu tempo de função conta como pontuação para o ingresso em um processo de seleção de uma função inicial da Caixa.
 

E nas unidades da Caixa os empregados cochicham que o BANCOP para Analista Junior, um dos cargos iniciais da carreira, mais parece prova para ser astronauta. (mas o que é isso companheiros? Só caía administração, português, raciocínio lógico, estatística aplicada, informática, linguagem de programação, direito administrativo, o código de ética da Caixa e mais 35 normativos integralmente listados em uma relação. E a Caixa ainda deu vinte dias para estudar.), e mesmo assim para aqueles poucos que passaram, ganharam o incrível direito de concorrer em um processo de seleção, sem nenhum beneficio por isso.


Mas o mais engraçado vem agora. Para esses mesmos empregados, em sua maioria TBs, julgados incapazes de serem aprovados em uma “simples” prova e seus “justos processos seletivos”, para esses incapazes empregados “despreparados”, a Caixa coloca agora uma média de 50 a 100 seguranças contratados, em cada Edifício-Sede, para intimidar e impedir, em uma atitude ditatorial e truculenta, o piquete desgostoso dos revoltosos com essa simplória situação. Dentre tantas outras que não me cabe enumerar. Se somos tão incapazes, por que tantos cães de guarda, por vezes armados? Qual o temor que sente a direção da Caixa de seus TBs, julgados por eles mesmos, despreparados, incapazes?
 

A resposta, só o movimento, a luta e a união nos dirão. Enquanto isso, nos piquetes, uma leva de empregados segue cantando:


 ”Vem pra caixa você também... Vem!"


Elvira Madeira é Secretária de Ação Sindical do Sindicato dos Bancários do Ceará

Fonte: Bancários Classistas 
 

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A GREVE DOS BANCÁRIOS E A TRUCULÊNCIA DE QUEM SE TORNOU PATRÃO



J. Tramontini*

Mais um ano, mais uma campanha salarial, mais uma greve. Essa tem sido a rotina dos bancários, que têm data base em setembro.

Mesmo com toda a lucratividade das instituições financeiras, os banqueiros, inclusive o governo federal, insistem em reduzir direitos e arrochar o salário dos bancários. Em 2009, em que pese a rebaixada pauta de reivindicações, os bancos mantiveram sua costumeira intransigência.

No entanto, há algumas novidades. As assembleias que deflagraram a greve, realizadas na quarta-feira, 23 de setembro, contaram com uma presença muito maior de trabalhadores, o que é um sinal novo bastante positivo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

MAIS UM CAPÍTULO DA NOVELA DA ISONOMIA


*J. Tramontini



Continua a novela da isonomia entre novos e antigos bancários dos bancos federais.



No último dia 14, o novo relator (o terceiro), Eudes Xavier (PT/CE), do Projeto de Lei 6259/2005, que assegura a isonomia entre novos e antigos bancários dos bancos federais, apresentou seu parecer (também o terceiro) à Comissão do Trabalho (CTASP) da Câmara dos Deputados.



Mais uma vez (a terceira) o PL6259/2005, de autoria dos deputados Daniel Almeida (PCdoB/BA) e Inácio Arruda (PCdoB/CE – hoje senador), tem parecer favorável, no entanto, não se sabe quando ele será votado na comissão.

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